Davi Garcia Júnior, 31, começou vendendo pipas numa garagem aos 12 anos.



Vencedor do Prêmio Citi Melhores Microempreendimentos 2013 na categoria de R$ 180 mil a R$ 360 mil de faturamento anual começou vendendo pipas numa garagem aos 12 anos. Empreendedor, trabalhou em várias áreas até se destacar no ramo de beleza, criando em Mauá (SP) a D&D Cosméticos, uma distribuidora de produtos para cabeleireiros e um centro técnico com cursos de aperfeiçoamento, além de desenvolver o projeto social “Cabeleireiros do Bem”. Bom negociador, recorre sempre ao microcrédito do Banco do Povo-Crédito Solidário para comprar produtos à vista e obter descontos.

Empreendedor desde criança

Com 12 anos, enquanto os outros meninos brincavam nas férias escolares, Davi Garcia Júnior, 31, já usava a garagem da avó em Mauá (SP) para vender pipas que ele mesmo fazia. Aos 15, usou o mesmo espaço para montar uma lojinha de doces e fliperama. “Como era menor de idade, meus pais precisaram ir comigo fazer a consignação da máquina, mas eu que tive a ideia e que entrei em contato com o fornecedor”, conta Davi. Aos 18 teve o primeiro emprego “oficial” num supermercado, mas ficou menos de dois anos. “Nesse período conheci minha esposa e ela engravidou. Como precisava aumentar minha renda, percebi que após a construção de unidades da CDHU na região havia muitas donas de casa lá e decidi montar uma loja de produtos de limpeza na mesma garagem, pois não havia fácil acesso para comprar esses materiais.”Davi ficou cerca de três anos com a loja, quando precisou “devolver” a garagem. Teve outros empregos em diferentes empresas e seis anos atrás foi convidado para ser representante de vendas de produtos profissionais para cabeleireiros.“Minha tia era manicure num salão e me colocou em contato com a dona, que estava abrindo uma distribuidora. Cerca de nove meses depois, ela desistiu do negócio, mas eu queria continuar. Tinha cerca de 150 clientes na época já, então entrei em contato com os fornecedores e, mesmo sem dinheiro, encontrei um parceiro que me forneceu os produtos em consignação no primeiro mês”, conta o empreendedor.A partir daí, a carteira de clientes de Davi só foi crescendo, são cerca de 600 hoje, não só em Mauá, mas em toda a região do ABC e até em outros Estados, por meio da divulgação com uma página na rede social Facebook, mantida com ajuda da filha mais velha, Evelyn, de 12 anos.

Ampliação do negócio

Ao mesmo tempo em que mantinha a distribuidora D&D Cosméticos, Davi investiu na compra do salão de beleza em que a tia trabalhava, e sua esposa Daniela assumiu a direção, momento em que pegou o primeiro microcrédito no Banco do Povo para se capitalizar. A experiência foi positiva e, após alguns meses, o casal tomou o segundo empréstimo e adquiriu mais um salão. Ao longo dos anos, Davi continuou utilizando o microcrédito de forma estratégica, para comprar produtos à vista. “Consigo descontos de 15% na compra à vista e, como os juros do banco ficam por volta de 3%, vale a pena renovar os empréstimos para investir no negócio”, explica o empreendedor, que conta com o acompanhamento personalizado da agente de crédito Eliete de Luna Borges. Algum tempo depois, o casal vendeu os dois salões e se mudou para um prédio, unindo no mesmo espaço a distribuidora e um centro técnico, onde oferecem cursos de aperfeiçoamento para cabeleireiros, muitas vezes a baixo custo ou até gratuitos, para que pessoas carentes da região possam aprender uma profissão. Além disso, com cerca de 60 parceiros, Davi começou um trabalho chamado “Cabeleireiros do Bem” e organiza ao menos dois grandes eventos por ano em regiões carentes oferecendo “um dia de beleza”, com profissionais voluntários que atendem a população. “É muito gratificante perceber que as pessoas saem transformadas de um salão de beleza, com a autoestima elevada. Por isso acabei me apaixonando pela área”, conclui Davi, que já faz planos de abrir uma fábrica de produtos próprios de beleza em vez de apenas revender os de outras marcas. Crédito na praça para isso Davi sabe que já tem.


Por Vanessa Prata
http://www.pcmm.com.br/2013/11/29/2719/

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